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O Pão vivo que desceu do Céu

Adoração ao Santíssimo Sacramento. Basílica Nossa Senhora do Rosário de Fátima, dos Arautos do Evangelho, São Paulo - Brasil
Adoração ao Santíssimo Sacramento. Basílica Nossa Senhora do Rosário de Fátima, dos Arautos do Evangelho, São Paulo – Brasil

Ao subir para o Céus, Jesus não poderia nos ter deixado um presente maior do que a Eucaristia. Que de mais precioso que seu próprio Corpo e Sangue, Alma e Divindade? Sim, na Santa Hóstia Jesus está realmente presente, tal como em sua vida terrena, mas oculto sob os véus do pão e do vinho. Que milagre, que grande mistério!

De fato, a inteligência humana nunca chegaria a cogitar algo ao mesmo tempo tão impossível e tão singelo: Deus e Homem verdadeiro escondido na aparência de alimento, sempre à nossa disposição, como remédio do corpo e da alma.

Mas porque escondido? Por que Ele quer ser procurado pelo seus filhos e filhas. Está ávido de ser visitado, de ser recebido no sacramento da comunhão.

E é isso que a Solenidade de Corpus Christi comemora a cada ano, desde 1264, quando foi instituída pelo Papa Urbano IV, através da Bula Transiturus de hoc mundo. Essa festa “deveria marcar os tempos futuros da Igreja, tendo como finalidade cantar a Jesus Eucarístico, agradecendo-Lhe solenemente pro ter querido ficar conosco até o fim dos séculos sob as espécies de pão e vinho. Nada mais adequado do que a Igreja comemorar esse dom incomparável.” (João S. Clás Dias, EP)

O culto e a devoção à Santíssima Eucaristia foi crescendo paulatinamente ao longo dos séculos da vida da Igreja. Logo nos primeiros tempos Ela era recordada na Quinta-Feira Santa – como aliás o é até nossos dias – mas com um certo tom de tristeza, pois naquela noite o Salvador foi traído por um de seus discípulos e entregue nas mãos daqueles que o matariam.

Mais tarde, já na Idade Média, essa devoção foi ganhando espaço na vida dos fieis e da própria Igreja, e além da celebração da Santa Missa, começaram outros movimentos de louvor a Jesus Hóstia. “O último impulso veio das visões de Santa Juliana de Monte Cornillon, uma freira agostiniana belga, a quem Jesus pediu a instituição de uma festa anual para agradecer o sacramento da Eucaristia. A religiosa transmitiu esse pedido ao arcediago de Liége, o qual, sendo eleito Papa 31 anos depois, adotou o nome de Urbano IV. Pouco depois esse Pontífice instituía a festa de Corpus Christi, que acabou por se tornar um dos pontos culminantes do ano litúrgico em toda a Cristandade.” (João S. Clás Dias, EP)

Com efeito, em 1263, um sacerdote de nome Pedro, originário de Praga, viajava para Roma, e no caminho começaram a lhe assaltar tentações violentas contra a crença na presença real de Jesus na Eucaristia, porém ele não se deixava vencer por tal pensamento. Em determinado momento ele chegou à cidade de Bolsena, distante uns 120 Km de Roma, e decidiu ali fazer uma pausa, e aproveitou para celebrar a Santa Missa, para fortalecer sua fé acometida por essas horríveis tentações.

Corporal no qual foi envolvida a Hóstia milagrosa. Catedral de Orvieto - Itália
Corporal no qual foi envolvida a Hóstia milagrosa. Catedral de Orvieto – Itália

Contudo, quanto mais ele procurava afastar esse pensamento incrédulo, mais fortes eles voltavam à sua mente. Isso intensificou-se de modo especial no momento da Consagração do pão. Nesse momento, o sacerdote olhou para a Hóstia e viu gotejarem gotas de sangue! Sua emoção foi imensa. A torturante dúvida à qual ele não queria dar ouvidos desfez-se e voou como o pó da terra batido pelo vento.

Passados os primeiros momentos de forte comoção, Pedro decidiu continuar sua viagem a Roma e contar ao Papa o ocorrido. Urbano IV o recebeu e escutou atentamente todos os detalhes de tão impressionante milagre. Em seguida ordenou que fosse averiguada a sua veracidade, a qual tendo sido comprovada colocou em marcha uma procissão à frente da qual se encontrava o Servo dos servos de Deus. Tendo chegado à cidade de Orvieto (que se encontra a 20 Km de Bolsena) veio-lhe ao encontro outra procissão com a Hóstia milagrosa, toda embebida em sangue e envolta num corporal.

Ali mesmo em Orvieto, Urbano IV decidiu instituir a celebração de uma festa em honra ao Santíssimo Sacramento, a qual conhecemos até hoje como Festa de Corpus Christi. Não se sabe se por uma dessas sobrenaturais coincidências – que nunca são acasos – ou se faziam parte da comitiva que acompanhava o Papa, encontravam-se na mesma cidade dois dos maiores teólogos de todos os tempos: São Tomás de Aquino e São Boaventura. O Papa, então, os convocou – bem como a outros teólogos – e lhes pediu que compusessem uma sequência[1] para a Missa da festa.

Terminado o prazo combinado, todos eles compareceram diante do Sumo Pontífice para apresentarem suas composições. O primeiro deles foi São Tomás de Aquino, que começou a ler o Lauda Sion. Apenas terminada a leitura, todos os presentes, e em primeiro lugar São Boaventura, rasgaram suas redações e aplaudiram a magnífica obra prima, verdadeira síntese teológica sobre a Eucaristia, tão lindo que deixamos suas palavras encerrarem esse artigo:

Afresco representando o encontro do Papa Urbano IV com a Hóstia milagrosa. Catedral de Orvieto - Itália
Afresco representando o encontro do Papa Urbano IV com a Hóstia milagrosa. Catedral de Orvieto – Itália

Louva Sião, o Salvador, louva o guia e pastor com hinos e cânticos.

Tanto quanto possas, ouses tu louvá-lo, porque está acima de todo o louvor e nunca o louvarás condignamente.

É-nos hoje proposto um tema especial de louvor: o pão vivo que dá a vida.

É Ele que na mesa da sagrada ceia foi distribuído aos doze, como na verdade o cremos.

Seja o louvor pleno, retumbante, que ele seja alegre e cheio de brilhante júbilo da alma.

Porque celebramos o dia solene que nos recorda a instituição deste banquete.

Na mesa do novo Rei, a páscoa da nova lei põe fim à páscoa antiga.

O rito novo rejeita o velho, a realidade dissipa as sombras como o dia dissipa a noite.

O que o Senhor fez na Ceia, nos mandou fazê-lo em memória sua.

E nós, instruídos por suas ordens sagradas, consagramos o pão e o vinho em hóstia de salvação.

É dogma de fé para os cristãos que o pão se converte na carne e o vinho no sangue do Salvador.

O que não compreende nem vês, uma Fé vigorosa te assegura, elevando-te acima da ordem natural.

Debaixo de espécies diferentes, aparências e não realidades, ocultam-se realidades sublimes.

A carne é alimento e o sangue é bebida; todavia debaixo de cada uma das espécies Cristo está totalmente.

E quem o recebe não o parte nem divide, mas recebe-o todo inteiro.

Quer o recebam mil, quer um só, todos recebem o mesmo, nem recebendo-o podem consumi-lo.

Recebem-no os bons e os maus igualmente, todos recebem o mesmo, porém com efeitos diversos: os bons para a vida e os maus para a morte.

Morte para os maus e vida para os bons: vede como são diferentes os efeitos que produz o mesmo alimento.

Quando a hóstia é dividida não vaciles, mas recorda que o Senhor encontra-se todo debaixo do fragmento, quanto na hóstia inteira.

Nenhuma divisão pode violar as substâncias: apenas os sinais do pão, que vês com os olhos da carne, foram divididos! Nem o estado, nem as dimensões do Corpo de Cristo são alteradas.

Eis o pão dos Anjos que se torna alimento dos peregrinos: verdadeiramente é o pão dos filhos de Deus que não deve ser lançado aos cães.

As figuras o simbolizam: é Isaac que se imola, o cordeiro que se destina à Páscoa, o maná dado a nossos pais.

Bom Pastor, pão verdadeiro, de nós tende piedade. Sustentai-nos, defendei-nos, fazei-nos na terra dos vivos contemplar o Bem supremo.

Ó Vós que tudo o sabeis e tudo o podeis, que nos alimentais nesta vida mortal, admiti-nos no Céu, à vossa mesa e fazei-nos co-herdeiros na companhia dos que habitam a cidade santa.

Procissão do Santíssimo Sacramento no Colégio Internacional Arautos do Evangelho, São Paulo - Brasil
Procissão do Santíssimo Sacramento no Colégio Internacional Arautos do Evangelho, São Paulo – Brasil

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[1] Sequentia, ou em português sequência, é um termo latino usado para designar um trecho de canto gregoriano cantado durante a Santa Missa. Por muitos séculos foi cantado antes da leitura do Evangelho, mas, com a reforma da liturgia em 1970, a sequentia foi levada para antes do aleluia. Atualmente ela só utilizada em Missas mais festivas, como a Solenidade de Corpus Christi, Páscoa, Pentecostes, entre outras.

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