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Ciência, Metafísica e Teologia

Existe uma relação entre a ciência, a metafísica e a teologia? Embora muitas correntes filosóficas o tenham negado ao longo da história, a íntima afinidade entre as três disciplinas pode ser ilustrada pelo seguinte episódio extraído das Sagradas Escrituras: uma noite, enquanto descansava de sua viagem rumo a Padã-Arã, Jacó teve um sonho no qual “via uma escada, que, apoiando-se na terra, tocava com o cimo o céu; e anjos de Deus subiam e desciam pela escada. No alto estava o Senhor” (Gn 28,12). Na verdade, os conhecimentos científicos, metafísicos e teológicos formam uma só escada que, apoiada na terra, conduz até as alturas do céu onde se encontra Deus.

O motivo pelo qual a base está sobre a terra deve-se a que o primeiro degrau do conhecimento humano é empírico, pois parte dos objetos sensíveis uma vez que não há nada no intelecto que não tenha passado antes pelos sentidos. E a ciência, precisamente, oferece os métodos convenientes para a aquisição e organização dos conhecimentos da estrutura da realidade objetiva, comum e acessível a todos os observadores.  Porém, de acordo com o discurso de Bento XVI aos participantes da assembléia plenária da Pontifícia Academia das Ciências, realizado no dia 6 de novembro de 2006, “embora dê com generosidade, a ciência só oferece aquilo que deve dar. O homem não pode depositar na ciência e na tecnologia uma confiança tão radical e incondicional, a ponto de acreditar que o progresso científico e tecnológico consegue explicar tudo e suprir completamente todas as suas necessidades existenciais e espirituais”.

Conseqüentemente, a ciência não pode ter a ambição de responder todos os interrogantes, mas unicamente as perguntas pertencentes à realidade física. Por conseguinte, assim acrescentou o Santo Padre: “a ciência não pode substituir a filosofia e a revelação”. Logo, o homem deve subir um degrau na escada e entrar na metafísica, a qual o ajudará a encontrar os fundamentos e princípios últimos do ser e do existente.

Entretanto, não é sem razão que a metafísica está num degrau intermediário entre a ciência e a teologia, unindo as duas. Isto por dois motivos: primeiramente, porque ela é, de fato, uma ciência, pois é a partir da unificação dos resultados das ciências particulares que configurará uma imagem metafísica do mundo, dos primeiros princípios e dos problemas centrais e mais profundos da filosofia; em segundo lugar, porque um dos seus ramos é a teodicéia ou teologia natural, pois é na procura da causa primeira de todo ser que a metafísica encontra a Deus, Ser supremo e fundamento de toda realidade.

Contudo, embora a metafísica também dê com muita generosidade, para atingir um conhecimento firme e seguro das verdades celestes e do próprio Deus é necessário subir mais um degrau da escada e entrar na teologia.

Com efeito, é inegável que “mal podemos compreender o que está sobre a terra, e dificilmente encontramos o que temos ao alcance da mão; quem, portanto, pode descobrir o que se passa no céu?” (Sb 9,16). Só a teologia que possui como mestra da verdade a Revelação, a qual, por ter sido inspirada pelo Espírito Santo, ensina com certeza, fielmente, e sem erro a verdade que Deus nos deu para a nossa salvação. Mais ainda: a principal fonte da teologia é a Sagrada Escritura, que pode ser considerada como a sua alma, pois é impossível uma verdadeira teologia sem adequado fundamento bíblico. E de tal maneira os autores das Sagradas Escrituras foram influenciados pela operação do Espírito Santo que, conforme nos ensina o Concílio Vaticano I, “a Igreja tem esses livros como sagrados… porque eles têm Deus por autor”.

Assim sendo, procuremos subir sem pretensão a escada que apoiada na terra, aperfeiçoada pela ciência, aprofundada pela metafísica, e guiada pela teologia toca com o cimo o céu, onde no alto se encontra o trono majestoso do nosso Criador. Não obstante, tenhamos muito presente que aquilo que nos aguarda – com o auxílio da divina graça – será muito superior ao que possamos conhecer nesta vida, pois “os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou, tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (1Cor 2,9).

Pe. Rodrigo Alonso Solera Lacayo, E.P.

Este post tem um comentário

  1. Paulo Vicente

    Obrigado pelo artigo. Sou estudante de filosofia na Universidade Pontifícia Salesiana. Não estava percebendo muito bem porque é que a morte de Deus defendida pelas ideologias modernas contribuiu para a crise da ciência e do homem de hoje.

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